O Brasil passa por um momento bastante singular: ao mesmo tempo em que alcança o reconhecimento mundial da sustentabilidade de seu etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e apresenta uma das mais limpas matrizes energéticas do mundo, o país vê sua demanda por etanol não conseguir ser atendida pelas usinas brasileiras.

A produção nacional de cana-de-açúcar, que foi de 254,9 milhões de toneladas na safra 2000/2001, em apenas 10 anos decolou para 623,9 milhões de toneladas, num impressionante crescimento de 9,4% ao ano! Apenas entre 2005 e 2010, foram inauguradas 112 novas usinas canavieiras no país, quase 45% do que existia em 2005.

Todo este crescimento não só mostrou o quão competitiva é a indústria da cana no Brasil, mas também serviu para mostrar para o país que este setor de nossa economia tem importantes novos desafios a vencer.

primeiro deles é atender a demanda para os próximos 10 anos. Modelos muito conservadores projetam que, na safra 2020/2021, o Brasil deverá processar 1,029 bilhões de toneladas de cana ao ano, caso queira manter sua frota de automóveis em circulação abastecida, na média, com 45% de etanol. Isso implicaria em quase 65% mais cana do que na safra passada.

Já se formos mais otimistas, a necessidade de cana será de 1,409 bilhões de toneladas, ou seja, 125,8% mais cana do que na safra passada. Para cumprir o primeiro cenário, o país terá que inaugurar mais 29 usinas. No outro, seriam 133 novas unidades.

Além disso, há um segundo grande desafio vinculado ao primeiro. Se as atuais produtividades por hectare alcançadas no Brasil com cana forem mantidas nos próximos anos, o cenário conservador de demanda implicará que a cana ocupe no País mais 6,3 milhões de hectares até 2020. Porém, se considerarmos o cenário mais otimista de demanda, mas adotarmos um ganho de 7,8% na produtividade média por hectare, a área com cana no país aumentará em 10,4 milhões de hectares!

Como muitos dos fatores que poderão implicar em menor necessidade de áreas tomadas por canaviais, como o advento das variedades de cana transgênicas ou mesmo o etanol celulósico, não deverão entrar em escala comercial até o final desta década, surge uma preocupação: como conseguir implantar a cana nesta escala tão grande sem incorrer em problemas ambientais, sem disputar terras com outras culturas e também sem gerar pressões para aumento de custo de arrendamento ou compra de terras?

Vale lembrar que, dos cerca de 9,5 milhões de hectares ocupados por canaviais no Brasil em 2010, apenas pouco mais de 2% são irrigados com água. A enorme maioria dos canaviais brasileiros é de sequeiro, ou seja, produz apenas com as chuvas. Destaque-se que uma parte significativa dos canaviais nacionais recebe a aplicação da vinhaça, um resíduo líquido da fabricação de etanol rica no fertilizante Potássio. Porém, não se trata de uma irrigação controlada visando grandes ganhos de produtividade agrícola.

Assim, a irrigação da cana com água poderá ser uma grande aliada das usinas e dos produtores para atender às demandas projetadas com menor uso de terras.

Além disso, um terceiro desafio também se apresenta. A maioria das novas usinas surgirá daqui para frente nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, principalmente em regiões que apresentam déficit hídrico maior do que o limite para o máximo crescimento da cana, ou seja, acima de 180 milímetros acumulados. A partir dos dois cenários apresentados, serão de 3,6 milhões a 7,1 milhões de hectares de novos canaviais para abastecer estas novas usinas. Estas áreas poderão ser drasticamente reduzidas caso seus canaviais considerem a irrigação com água como parte de seu manejo, desde o plantio.

Em função destes fatores e imbuídos da importante contribuição que a irrigação pode trazer para a indústria da cana no Brasil, um grupo de empresas fornecedoras de equipamentos de irrigação se uniu e criou o Projeto “Cana pede Água”.

O Projeto “Cana pede Água” pretende divulgar os benefícios da irrigação dentre os agentes do setor sucroenergético e da cadeia produtiva da cana, mostrando aos tomadores de decisão que ela é uma importante alternativa tecnológica para incrementar a produção de cana-de-açúcar do Brasil de forma sustentável.

Gerenciado pela Consultoria RPA e patrocinado pelas empresas Irrigabrasil, NaanDan Jain, Raesa, Tigre e Valmont, que formam seu comitê gestor, o Projeto “Cana pede Água”, que não possui fins lucrativos, atuará através de uma agenda positiva com múltiplas ações para fomentar o uso sustentável de irrigação de cana com água no Brasil.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO:

• Ricardo Pinto: fones (16) 3602-0900 / (16) 8144-3238 e email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

• Patrícia Díaz: fones (16) 3602-0900 / (16) 9118-1880 e email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.